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Biodiversidade e Ecossistemas

no Contexto da Mudança do Clima

Impactos Exposição Medidas

Biodiversidade é a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas (BRASIL, 1992). Ela é a base dos serviços ecossistêmicos, benefícios gerados pela natureza para a sociedade e que favorecem as economias e o bem-estar das populações.

Estes serviços estão relacionados com a manutenção da vida no planeta, como a provisão de alimentos e de água; a regulação do clima, de doenças,  de inundações e da qualidade da água; e o suporte para a formação do solo e a ciclagem de nutrientes (MEA, 2005). Outro destes serviços é a  estocagem de carbono, que pode aumentar ou reduzir o saldo das emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, que, por sua vez, são responsáveis pelo aquecimento global e, consequentemente, pela mudança do clima.

Por isso, o clima depende da conservação da biodiversidade, mas também representa um fator determinante para a distribuição dos seres vivos no planeta. Alterações como o aumento de temperatura e mudanças nos padrões de chuva devem impactar o comportamento dos ecossistemas e espécies. Por exemplo, projeções indicam que a distribuição geográfica de pássaros da Mata Atlântica, espécies endêmicas de pássaros e plantas do Cerrado, podem se deslocar para o Sul e Sudeste do Brasil (IPCC, 2014).

À mudança do clima se soma a uma série de ameaças que já afetam a conservação de espécies e ecossistemas, como a fragmentação de habitats e mudanças do uso do solo, incêndios e poluição, produzindo efeitos sinérgicos e de difícil previsão e monitoramento (BRASIL, 2016). O Brasil é detentor da maior biodiversidade do mundo e abriga dois hotspots de biodiversidade: a Mata Atlântica e o Cerrado. Hotspots de biodiversidade são regiões que possuem alto número de plantas endêmicas e ameaças à sua vegetação nativa. A causa mais provável do alto índice de perda de biodiversidade é a conversão de áreas naturais que resulta no aumento da vulnerabilidade destes ecossistemas fragilizados à mudança do clima (IPCC, 2014).

Impactos da mudança do clima na biodiversidade e nos ecossistemas

Alguns dos impactos esperados nos biomas e ecossistemas brasileiros são:

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Fonte: Adaptado de BRASIL (2016) e  IPCC AR5 América do Sul (2014)

No nível de espécies e populações, de maneira geral, as alterações de temperatura e chuva podem prejudicar o desenvolvimento e taxas reprodutivas, aumentar a mortalidade, afetar a imunidade à doenças, reduzir a mobilidade, entre outros efeitos, podendo acelerar a taxa de extinção reduzindo assim a diversidade de espécies.

Além das influências específicas para cada espécie, dadas as diversas relações de interdependências, alterações em componentes sazonais presentes no ciclo de vida das espécies (como época de floração, frutificação ou perda de flores, migração ou nascimento de filhotes) podem afetar interações como predação, competição, dispersão, polinização e mutualismo entre espécies.

Por fim, em termos de diversidade genética, certas características podem ser menos viáveis enquanto outras podem ser favorecidas em novas condições climáticas, influenciando em processos de especiação, diversificação e até extinção de espécies.

Exposição ao risco, vulnerabilidade e capacidade de adaptação

Com a probabilidade dos impactos mencionados e considerando a sensibilidade e exposição ao risco, as espécies, os ecossistemas e, consequentemente, as comunidades e conhecimentos tradicionais que neles se baseiam, encontram-se em situação de vulnerabilidade em relação à mudança do clima. O cenário se intensifica se consideradas ainda outras variáveis como conversão da cobertura florestal e incêndios, lacunas de monitoramento e sistemas de governança enfraquecidos.

As espécies buscam várias formas de se adaptar, incluindo a partir da alteração da área de ocorrência (expansão, retração ou deslocamento) e de habitat. Por dificultar ou impedir essas alterações, a fragmentação da paisagem é fator limitante à adaptação das espécies.

A diversidade genética é outra forma de adaptação às mudanças ambientais. Entretanto, diante das mudanças projetadas, resultado da mudança do clima e das mudanças de uso da terra, a diversidade genética também está em risco. Na agropecuária, por exemplo, a redução de diversidade genética das espécies domesticadas em monoculturas e criações de animais aumenta a exposição ao risco. Já seus parentes nas espécies silvestres, devido a sua diversidade genética, podem contribuir para o aumento da capacidade adaptativa.

Medidas de adaptação

Medidas de adaptação à mudança do clima são necessárias para reduzir a vulnerabilidade dos ecossistemas e espécies, de pessoas, comunidades e sociedade no geral, por dependerem dos serviços gerados pelos ecossistemas.

Uma abordagem que une as temáticas de biodiversidade e clima é a Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE), que é o uso da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos como parte de uma estratégia geral de adaptação para ajudar as pessoas a se adaptarem aos efeitos adversos da mudança do clima. Para isso, medidas AbE fazem uso da gestão, conservação e recuperação de ecossistemas.  A AbE é considerada uma medida de baixo arrependimento, já que apresenta co benefícios de múltiplas naturezas: econômicos, sociais, ambientais e culturais, sequestro de carbono, efeitos sobre a segurança alimentar, gestão sustentável da água, e a promoção de uma visão integrada do território (FGB, 2015).

 Alguns exemplos são: 

  • Criar barreira natural em área costeira a fim de estancar processo de erosão.
  • Recuperação de manguezais como proteção contra enchentes e contenção da linha de costa.
  • Recuperação de matas ciliares e proteção das nascentes para proteção de cursos hídricos.
  • Reflorestamento de mata nativa, práticas florestais e agroflorestais, manejo sustentável de florestas para recuperar biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
  • Criação de unidades de conservação e corredores ecológicos, terrestres e marinhos, considerando a resiliência à mudança do clima.
  • Cogestão em processos participativos envolvendo comunidades, governos, academia, ONGs que contribuam para a manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas em conjunto com a sobrevivência de populações tradicionais e seus costumes (IPCC, 2014).
  • Planejamento territorial que considere as alterações futuras nos ecossistemas e na biodiversidade, melhor gestão de fatores não climáticos e restauração de áreas degradadas (IPCC, 2014).

 Referências do texto:

  1. Adaptação baseada em Ecossistemas. Fundação Grupo Boticário, 2015. 
  2. Assessment Report 5 - South America. IPCC, 2014.
  3. Convenção sobre Diversidade Biológica. Brasil/MMA, 1992. 
  4. MEA, 2005. 
  5. Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima: volume 2: estratégias setoriais e temáticas. Ministério do Meio Ambiente. Brasil, 2016. 

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