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Atuação do setor empresarial

Como o setor pode contribuir? Por que as empresas devem elaborar estratégias de adaptação? Redes Empresariais atuando em adaptação

Em um contexto de mudança do clima, o ambiente de negócios é afetado em âmbitos tanto técnico e operacionais quanto estratégicos. Potenciais impactos negativos podem ser a interrupção de cadeias de transporte, a redução na produção de energia, ou o aumento de pragas na lavoura. Por outro lado, existem oportunidades como a criação de novos serviços e abertura de novos mercados. (GVces, 2015) Veja vulnerabilidades e riscos por temas.

Atualmente, as ações e os recursos empresariais são majoritariamente dedicados a medidas de mitigação. Apesar disso, cada vez mais as empresas têm trabalhado com medidas de adaptação, incorporando a avaliação de riscos climáticos na sua estratégia empresarial e criando mecanismos e planos de adaptação à mudança do clima

O envolvimento crescente do setor empresarial está ligado ao amadurecimento do tema nas negociações internacionais e na ciência, juntamente com a percepção dos possíveis efeitos tangíveis da mudança do clima na economia e nos negócios. Estima-se que, em um cenário sem mudança no clima, o PIB brasileiro será de R$ 15,3 trilhões para um cenário pessimista em 2050 e de R$ 16 trilhões para um cenário otimista em 2050. Com o impacto da mudança do clima, estas estimativas reduzem-se em 0,5% e 2,3% respectivamente, o que significaria, atualmente, perdas entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões. (Marcovitch, Dubeux e Margulis, 2010).

Para garantir a viabilidade dos negócios e assegurar competitividade, o setor privado deve trabalhar no planejamento, investimento e implementação de medidas de adaptação. O primeiro passo é a conscientização dos tomadores de decisão sobre a dependência dos seus negócios em relação aos recursos naturais e sociais e seus potenciais impactos, o que fica evidente a partir de ações para contabilização e relato de tais dependências e impactos.

Percepção do setor privado no Brasil

Em estudo realizado em 2017 (Instituto Ethos e WWF-Brasil), um questionário aplicado em 32 empresas brasileiras revelou que somente 38% têm elaborado avaliações periódicas da vulnerabilidade climática em seus negócios e, apesar de a metade (50%) ter integrado os riscos oriundos da mudança do clima à sua cadeia de valor, somente 19% incluiu os custos de eventos climáticos extremos em seu planejamento financeiro.

Em relação às principais barreiras à adaptação, as empresas citaram o custo de investimentos (59,4%), a falta de políticas públicas ou incentivos do governo (56,3%), e a escassez de informações sobre métodos, ferramentas e dados climáticos (40,6%). Já como oportunidades de adaptação, as companhias consideram a redução de custos, a oportunidade de criar produtos e serviços, e o fortalecimento da reputação da marca.

Este mesmo estudo (Instituto Ethos e WWF-Brasil, 2017) responde a um dos desafios do setor e apresenta 28 fundos internacionais e 20 fundos nacionais para financiamento climático disponíveis ao setor privado.

Como o setor empresarial pode contribuir para a agenda de adaptação?

  • Aporte de recursos financeiros e técnicos: por meio do compartilhamento de informações sobre gestão de riscos, muitas vezes já sistematizados e utilizados em seus processos operacionais, do desenvolvimento de soluções inovadoras, suprindo algumas lacunas de tecnologia do setor público, e da capacidade de ação no curto prazo.
  • Capacidade de influência e de engajamento: grandes empresas têm significativa influência em suas cadeias de valor, sendo capazes de guiar e estabelecer parcerias com pequenas e médias empresas para responder efetivamente aos riscos climáticos. A articulação com outras organizações, inclusive estabelecendo parcerias público-privadas, pode criar tensão positiva para a inclusão da agenda de adaptação nas políticas públicas.
  • Capacidade de influência dos setores de seguro e financeiro: o setor de seguros pode valorizar mecanismos de redução de riscos climáticos e incluí-los como critérios ou requisitos para assinatura de contratos de seguros e apólices. Já o setor financeiro pode sinalizar o interesse por informações e planos de adaptação das empresas e utilizar a vulnerabilidade climática como critérios para definir e monitorar seus investimentos.
  • Parcerias público-privadas: a implementação do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, instituído em maio de 2016, requer o alinhamento entre o planejamento nacional e as iniciativas locais, incluindo as estratégias empresariais de adaptação.
  • Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): nos ODS, o tema de mudança do clima e adaptação aparece de forma transversal, estando presente no ODS 8 ”Construir infraestrutura resiliente”, ODS 11 “Tornar as cidades resilientes” e ODS 13 “Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos”. As empresas são chamadas a contribuir especificamente com o ODS 17, que trata da importância de parcerias multissetoriais para mobilizar e compartilhar conhecimento, expertise, tecnologia e recursos financeiros. 

Por que as empresas devem elaborar suas estratégias de adaptação? (GVces, 2015)

É importante que as empresas desenvolvam suas próprias estratégias a partir da compreensão de quais os riscos (como interrupção das operações e limitação de recursos) e oportunidades (como a criação de novos mercados e soluções inovadoras) que os impactos da mudança do clima representam para os seus negócios.

Os impactos variam entre empresas e unidades de negócio, considerando sua gestão, localização e, principalmente, sua capacidade adaptativa. Assim, uma alteração climática pode ser tanto a origem de perdas como de ganhos e, portanto, os modelos de negócio que responderem aos desafios e às oportunidades serão mais resilientes e poderão até ganhar competitividade em um ambiente de maior instabilidade.

Além disso, o desenvolvimento de uma estratégia corporativa de adaptação também pode contribuir para o bom desempenho da empresa num contexto de maior pressão social por produtos alinhados com boas práticas ambientais e sociais e stakeholders exercendo maior pressão sobre a transparência de informações relacionadas aos riscos climáticos. Os esforços em adaptação já são tema de perguntas do questionário de Mudanças Climáticas do CDP (Carbon Disclosure Project), que possui seção sobre Riscos e Oportunidades Climáticas, e do ISE (Índice de Sustentabilidade da Bolsa), que possui perguntas sobre Gestão da Adaptação.  

Redes empresariais e sua atuação na agenda de adaptação à mudança do clima

Carbon Disclosure Project (CDPOrganização internacional sem fins lucrativos que motiva empresas e cidades a divulgarem seus impactos ambientais, fornecendo um banco de dados reportados voluntariamente.Possui seções específicas sobre adaptação a mudança do clima no seu questionário de Mudanças Climáticas de 2016 (CC5. Riscos das Mudanças Climáticas e CC6. Oportunidades das Mudanças Climáticas), gerando um banco de dados corporativos sobre o tema.


Câmara Temática de Energia e Mudanças do Clima (CTClima) - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) Associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável nas empresas que atuam no Brasil.Auxilia as empresas membro a aproveitarem novas oportunidades de mercado e minimizar seus riscos advindos da mudança do clima através de estudos e capacitações.


Fórum Clima - Instituto Ethos Grupo de trabalho com o objetivo de acompanhar os compromissos das empresas e realizar um diálogo entre o governo e o setor empresarial sobre políticas de enfrentamento das mudanças climáticas.Incluiu o tema de adaptação nas Cartas Abertas ao Brasil (2009 e 2015), enviada ao governo federal, e no Observatório de Políticas Públicas de Mudanças Climáticas, visando reforçar o papel das empresas como protagonistas no diálogo sobre políticas públicas do tema.


Grupo de Trabalho de Energia e Clima - Rede Brasileira do Pacto Global Iniciativa desenvolvida pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.Discute adaptação, entre outros temas, com as empresas membro da Rede brasileira, tendo produzido o Caderno do Pacto-Clima, que inclui casos de empresas brasileiras que desenvolveram ações de adaptação à mudança do clima.

Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) – Centro de Estudos de Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) Plataforma empresarial permanente, cujo objetivo é mobilizar, sensibilizar e articular lideranças empresariais para a gestão e redução das emissões de GEE, a gestão de riscos climáticos e a proposição de políticas públicas e incentivos positivos no contexto das mudanças climáticas.Produziu o Framework e Ferramenta para a Elaboração de Agendas Empresariais de Adaptação às Mudanças do Clima e auxilia empresas membro no desenvolvimento de projetos piloto em adaptação à mudança do clima; contribuiu com o Plano Nacional de Adaptação (PNA).

Rede Clima da Indústria BrasileiraConfederação Nacional da Indústria (CNI) Rede que discute com os setores da indústria de transformação, construção civil e extrativa mineral, questões relacionadas à mitigação e adaptação à mudança do clima.Promoveu discussões sobre adaptação, inovação e economia de baixo carbono com suas empresas membro na 4ª edição do Encontros CNI Sustentabilidade (2015).

Iniciativas Empresariais em Clima (IEC) São uma rede formada por representantes de organizações que reúnem empresas com atuação na questão das mudanças climáticas: a CT Clima, do CEBDS; a EPC, do GVces; o Fórum Clima, do Ethos; o GT de Energia e Clima, da Rede Brasileira do Pacto Global; e a Rede Clima da Indústria Brasileira, da CNI.Seus principais objetivos são: alinhar temas e agendas de cada iniciativa, buscando sinergias e propondo ações conjuntas que possam contribuir para o Brasil rumo a uma economia de baixo carbono; reunir as informações e conteúdos produzidos por cada iniciativa e promover seu intercâmbio, otimizando recursos, qualificando as ações e potencializando a atuação empresarial frente às mudanças climáticas; fortalecer o posicionamento desse grupo de empresas no diálogo com o governo, com base em uma agenda propositiva.

 

 Referências do texto: 

01. Adaptação às mudanças climáticas e o setor empresarial. GVces, 2015.

02. Financiamento climático para adaptação no Brasil: Mapeamento de fundos nacionais e internacionais . Instituto Ethos e WWF-Brasil, 2017.

03. Análise de Formatos e Modelos de Interação entre Governo e Setor Privado para Adaptação às Mudanças do Clima. GVces, 2013.

04. Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades. Marcovitch, Dubeux e Margulis, 2010.

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