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Indústria e mineração

no Contexto da Mudança do Clima

Impactos e Vulnerabilidades Riscos ao setor industrial Medidas de Adaptação

O setor industrial pode ser dividido em três grandes grupos: indústria extrativa mineral, indústria de transformação e serviços industriais de utilidade pública. Por um lado, as atividades industriais e de mineração são sensíveis às variações climáticas por dependerem diretamente de recursos naturais para o fornecimento de matéria prima (como água, biomassa e minerais), de infraestrutura (como abastecimento de água, esgoto, energia, logística e telecomunicações), de disponibilidade de mão de obra e de oferta de bens e serviços necessários à operação de suas instalações. Por outro lado, a indústria também pode desempenhar um papel positivo na promoção da resiliência climática de outros setores econômicos e da sociedade, por meio da sua capacidade de inovação, recursos técnicos e tecnológicos e da capacidade de engajamento de suas cadeias.

A grande heterogeneidade do setor e a dependência de infraestruturas públicas tornam mais desafiador o delineamento de ações de adaptação. No âmbito das operações próprias, a indústria possui maior autonomia para implementação das medidas de adaptação necessárias, porém esta influência diminui à medida que se desloca ao longo da cadeia de valor e torna-se ainda mais reduzida quando se trata de medidas de adaptação do meio externo (como infraestrutura pública e privada), demandando maior atuação e articulação com o setor público e os demais setores da economia.

Impactos e vulnerabilidades

Os impactos variam de acordo com o setor e a localização geográfica da indústria. Setores que dependem dos recursos naturais (como a indústria farmacêutica, agroindústria e indústria de base florestal) são mais suscetíveis aos impactos sobre a biodiversidade e os ciclos agrícolas. Já os parques industriais estão mais propensos à interrupção de suas atividades e de suas vias de escoamento em decorrência de deslizamentos de terra e inundações em áreas mais baixas do relevo.

Impactos biofísicos

Impactos socioeconômicos

  • Redução da disponibilidade e qualidade da água.
  • Redução ou interrupção da disponibilidade de matéria prima e insumos.
  • Diminuição do conforto térmico, qualidade e segurança do ambiente de trabalho.
  • Comprometimento dos recursos humanos.
  • Danos à infraestrutura industrial, logística, de energia, de telecomunicações e portuária.
  • Oxidação de estruturas metálicas e equipamentos.
  • Aumento dos custos operacionais, de investimento e seguros;
  •  Diminuição ou interrupção da produção;
  • Perdas na produção;
  •  Perda de competitividade;
  • Diminuição da capacidade de geração de emprego e renda; e
  • Comprometimento de logística (Brasil, 2016).

A resiliência climática do setor industrial pode ser pensada como a redução da sensibilidade e o aumento da capacidade de adaptação aos impactos potenciais da mudança do clima. É preciso considerar, não apenas o impacto direto da variabilidade climática e dos fenômenos extremos, mas também os impactos indiretos sobre as infraestruturas das quais o setor depende e a resiliência dos territórios onde a indústria está presente.

Algumas vulnerabilidades dos parques industriais e mineradoras em geral (Brasil, 2016):

  • Dependência de matérias primas (agrícola, florestal ou biodiversidade).
  • Regiões de topografia acentuada são suscetíveis a deslizamentos.
  • Regiões de baixo relevo são sujeitas a inundações.
  • Zonas costeiras são vulneráveis ao aumento do nível do mar.
  • Captação hídrica é concentrada nas redes públicas de distribuição;.
  • Matriz energética pouco diversificada.
  • Distância dos depósitos de mercadorias.
  • Baixo aporte de investimento em adaptação e pesquisa e desenvolvimento.

Riscos associados à mudança do clima sobre o setor industrial no Brasil

A maioria dos parques industriais brasileiros encontra-se em planícies fluviais e costeiras e é, portanto, suscetível a riscos de desastres causados por eventos climáticos extremos.

A elevação do nível do mar, associada a tempestades e ventos, deverá aumentar os riscos de enchentes e inundações nas zonas costeiras, ameaçando direta e indiretamente os parques industriais instalados nestas áreas.

A interação de precipitação pesada com a topografia pode implicar escorregamentos ou deslizamentos de terra, causando perdas econômicas à indústria.

Ressacas associadas à passagem de frentes frias e ciclones extratropicais podem causar danos a instalações na zona litorânea do Norte ao Sul do País.

Medidas de adaptação para indústria e mineração

As estratégias de adaptação devem ser elaboradas segundo a capacidade de influência de cada indústria e do engajamento de sua cadeia de valor. Assim, o uso de recortes como porte, setor de atuação e localização geográfica facilitam a identificação das vulnerabilidades, bem como as medidas adequadas de adaptação.

Algumas medidas que podem reduzir ou absorver riscos associados à mudança do clima:

  • Identificação e monitoramento de variáveis climáticas.
  • Disponibilização de ferramentas para acesso aos dados da rede de monitoramento e alertas em uma linguagem gerencial.
  • Mapeamento de áreas de risco e do parque industrial em expansão, a fim de garantir que tal expansão não ocorra em áreas vulneráveis.
  • Investimentos em medidas de Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE).
  • Investimentos em reuso, dessalinização e fontes alternativas de obtenção de água e energia.
  • Inclusão do risco climático em todas as ações de planejamento das indústrias. Aprofundamento do conhecimento sobre impactos, vulnerabilidades e medidas de adaptação para subsetores industriais.
  • Sensibilização das empresas para introdução do tema de adaptação na agenda de sustentabilidade, especialmente das micro e pequenas empresas, que constituem o maior número de empreendimentos industriais e frequentemente são as mais vulneráveis.

Você conhece outras ações para que o setor de indústria e mineração possa se adaptar à mudança do clima? Compartilhe uma publicação ou ferramenta conosco!

Referências do texto:

  1. Ministério do Meio Ambiente. Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima: volume 2: estratégias setoriais e temáticas.Ministério do Meio Ambiente. Brasil, 2016.
  2. 2. Relatório final de sistematização de informações por recorte temático e setorial. Parte III/III do Produto 6.0 – Relatório Final. GVces, 2014.

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