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Saúde

no Contexto da Mudança do Clima

Vulnerabilidade Impactos da mudança do clima Medidas de Adaptação

A saúde humana é diretamente afetada pela ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como ondas de frio e de calor, inundações, enxurradas e estiagens prolongadas. Ainda, a alteração gradual e permanente no regime de chuvas, na temperatura e na umidade, que ocasionam alterações nos ecossistemas e em suas interações, causam efeitos indiretos na saúde. Estes podem ser: maior exposição de indivíduos e populações aos poluentes atmosféricos; expansão das áreas de transmissão de doenças infecciosas; surgimento de doenças emergentes e reemergentes; situações de indisponibilidade e redução da qualidade da água para consumo humano, insegurança alimentar por conta de perdas na produção agrícola; perdas econômicas; e comprometimento das forças de trabalho e do funcionamento do sistema de saúde.

A questão da água é crucial quando se trata de saúde no contexto da mudança do clima. As alterações dos regimes de chuva e o aumento de eventos climáticos extremos, em associação com condicionantes como o saneamento inadequado, levam à redução da disponibilidade de água para consumo humano. Com isso, as populações são expostas aos riscos de desabastecimento de água, de aquisição de doenças por transmissão hídrica, alimentar e por vetores, de intoxicação, assim como  o comprometimento da prestação de serviços de saúde. A ocorrência de desastres naturais, sejam inundações, estiagens ou secas, também pode causar alterações na qualidade da água para consumo humano e provocar o adoecimento das pessoas.

Vulnerabilidade individual e coletiva

A sensibilidade da saúde humana aos efeitos adversos da mudança do clima está associada às vulnerabilidades individual e coletiva, bem como às especificidades de cada território. Variáveis como idade, perfil de saúde e resiliência fisiológica determinam o componente individual. São considerados mais vulneráveis: crianças, idosos e aqueles que já têm a saúde comprometida. Já o crescimento populacional, a pobreza, a degradação ambiental, o modelo econômico, o saneamento, o grau de urbanização, dentre outros, caracterizam os componentes socioambientais que afetam a coletividade. A forma como cada um dos componentes, individual e coletivo, é influenciado, direta ou indiretamente, pela mudança do clima, determina o grau de vulnerabilidade da saúde como um todo (BRASIL, 2016).

Como exemplo temos um cenário de desenvolvimento econômico baseado no estabelecimento, manutenção e possível ampliação de parques industriais e áreas urbanas, mudanças do uso e ocupação do solo e aumento do desmatamento e queimadas, que influenciam na piora da qualidade do ar em algumas regiões mais do que em outras, causando efeitos à saúde coletiva.

Impactos da mudança do clima e seus efeitos

A exposição aos eventos climáticos, combinada às condicionantes ambientais e socioeconômicas de vulnerabilidades existentes, podem resultar em impactos que acarretarão em efeitos negativos sobre a população. Estes, por sua vez, sobrecarregam o sistema de saúde por conta do aumento de atendimentos e podem desestruturar a rede de atendimento e até mesmo impactar na infraestrutura hospitalar. Veja a seguir os efeitos sobre a população:

Possíveis impactos

Efeitos sobre a população

Inundações, enchentes, secas e estiagens

 - Curto Prazo: Óbitos e internações; desabrigados, desalojados e deslocados.

- Médio Prazo: Aumento de doenças transmissíveis; situações epidêmicas.

- Longo Prazo: Problemas de saúde mental e cardiovasculares; Desnutrição e insegurança alimentar.

Poluição atmosférica

Aumento do número de óbitos em crianças e idosos por doenças respiratórias, e adultos maiores de 40 anos por doenças cardiovasculares; cânceres de pulmão, doenças dermatológicas, entre outras.

Comprometimento da disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos

Doenças de veiculação hídrica e alimentar e transmissíveis por vetores (diarreia, hepatite A e E, febre tifoide, leptospirose, dengue, febre amarela, cólera, desidratação, esquistossomose, tracoma, entre outras).

Doenças infecciosas sensíveis ao clima

Incremento do número de casos e ocorrências de males associados a desconforto térmico, dengue, malária, febre amarela, leishmanioses, esquistossomose, tracoma, leptospirose, hepatites virais, doenças diarreicas agudas, cólera, doença de chagas, síndrome respiratória aguda grave (SRAG), síndrome gripal (influenza e outros agentes).

Fonte: Brasil, 2016.

Medidas de adaptação no setor de saúde

A definição e a implementação de medidas adaptativas para a saúde requerem uma visão multidisciplinar que considere as vulnerabilidades dos diferentes setores socioeconômicos, principalmente quando se pensa em termos de políticas públicas. Estratégias que visem a proteção ambiental, saneamento básico, melhoria da habitação e uso adequado do solo, por exemplo, podem aumentar a capacidade adaptativa frente à mudança do clima, evitando assim agravos no setor de saúde. No setor de saúde especificamente, algumas medidas possíveis são (BARCELLOS et al, 2019BRASIL, 2016; CONFALONIERI, 2008):

  • Aperfeiçoamento dos programas de controle de endemias.
  • Implantação de sistemas de alerta precoce em conjunto com planos de contingência que envolvam assistência de saúde.
  • Esforços de vigilância e controle, como o tratamento precoce de doentes e o combate aos mosquitos vetores;
  • Aumento da capacidade de atendimento da demanda espontânea.
  • Diagnóstico, monitoramento, difusão da informação e gerenciamento de riscos sobre a disponibilidade, acesso e qualidade da água para consumo humano.
  • Fomento para o incentivo à adoção de novas tecnologias para tratamento da água no atendimento às demandas relacionadas às situações de emergência em saúde pública.
  • Promoção da educação e acesso a informações sobre saúde para a população em geral.
  • Fomento a pesquisas sobre os efeitos da mudança do clima na saúde e em temas relacionados, como recursos hídricos e segurança alimentar.

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Referências do texto:

  1. Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Chapter 27. IPCC, 2014.
  2. Mudança climática global e saúde humana no Brasil. Confalonieri, Ulisses E. C., 2008. 
  3. Mudanças climáticas e ambientais e as doenças infecciosas: cenários e incertezas para o Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde. Barcellos, C., Monteiro, A. M. V., Corvalán, C., Gurgel, H. C., Carvalho, M. S., Artaxo, P., & Ragoni, V., 2009.
  4. Mudança Climática e Saúde: um perfil do Brasil. Brasília, DF: OPAS, Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde, 2009. 
  5. Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. Brasil, 2016. 

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